CyberGAECO/MPRJ denuncia e obtém mandados contra organização que movimentou mais de R$ 150 milhões com fraudes contra fintechs

(Redação Serra Verde / fonte: MPRJ) 


O CyberGAECO, núcleo especializado do Ministério Público do Rio de Janeiro, deflagrou nesta quarta-feira (04/03) uma operação para desarticular uma organização criminosa que movimentou mais de R$ 150 milhões em fraudes digitais e lavagem de capitais entre 2021 e 2024. A ação visa cumprir quatro mandados de prisão nos estados do Rio de Janeiro e Maranhão, além de 23 mandados de busca e apreensão. Entre os principais alvos estão Yago de Araújo Silva, apontado como líder do grupo, e seu braço direito, Saulo Zanibone de Paiva, além de integrantes do núcleo maranhense responsáveis pela ocultação dos recursos ilícitos. 

As investigações revelaram que o grupo explorava falhas sistêmicas em fintechs e plataformas de pagamento, priorizando instituições que negligenciam verificações rigorosas em favor da rapidez na abertura de contas. Utilizando identidades falsas, os criminosos criaram centenas de contas digitais para realizar sucessivos estelionatos eletrônicos. O esquema tirava proveito direto da fragilidade dos mecanismos de due diligence dessas instituições financeiras para expandir a capacidade das fraudes. 

Para ocultar a origem do dinheiro, a organização estruturou um complexo sistema de lavagem de capitais que envolvia empresas de fachada, a compra e venda simulada de veículos e a aquisição de imóveis e terrenos. Um ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a conexão entre o líder do grupo, Yago de Araújo, e a GAS Consultoria, de propriedade de Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins". Parte significativa dos valores era convertida em criptoativos e enviada para o exterior via exchanges internacionais, dificultando o rastreamento pelas autoridades brasileiras. 

A operação conta com o apoio da Polícia Civil e de forças de segurança do Maranhão, concentrando as buscas no Rio nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Vargem Grande. Diante da gravidade dos crimes e do volume financeiro envolvido, o Ministério Público requereu à Justiça o sequestro de bens dos denunciados no montante total de R$ 150 milhões. O caso reforça o alerta sobre como a criminalidade cibernética se aproveita da busca por agilidade no mercado de pagamentos eletrônicos para institucionalizar fraudes de larga escala.