Marina Silva faz balanço dos últimos três anos no comando do MMA
Ministra destaca queda do desmatamento, reconstrução institucional e aposta na continuidade da agenda ambiental sob comando do ex-secretário executivo
(Redação Serra Verde / Fonte: ECO Jornalismo)
Ao encerrar seu ciclo à frente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a ministra Marina Silva apresentou um balanço focado na reconstrução institucional e no fortalecimento orçamentário da pasta. Após assumir em 2023 uma estrutura fragilizada, a gestão promoveu a incorporação de mais de 1,5 mil servidores ao Ibama, ICMBio e Jardim Botânico, além de garantir um aumento orçamentário de 120% em relação a 2022. Marina destacou que a política ambiental foi consolidada como uma estratégia transversal e integrada ao desenvolvimento sustentável, deixando de ser apenas uma agenda setorial para se tornar uma política de Estado estruturada.
Os resultados práticos da gestão foram evidenciados pela expressiva queda nos índices de desmatamento, com reduções de 50% na Amazônia e 32% no Cerrado até 2025. Esse desempenho, que evitou a emissão de 733 milhões de toneladas de CO² equivalente, foi atribuído à retomada do Plano de Prevenção e Controle do Departamento (PPCDam) e à intensificação das operações de fiscalização e embargo, incluindo o combate ao garimpo ilegal em terras indígenas. A ministra reforçou que o sucesso dessas ações dependeu da combinação entre o fortalecimento da autoridade pública e a criação de métodos que transformaram diretrizes políticas em resultados mensuráveis.
No âmbito econômico e de conservação, a gestão mobilizou cerca de R$190 bilhões para a transformação ecológica, focando em bioeconomia, energias renováveis e cadeias de baixo carbono. O objetivo central foi criar instrumentos financeiros que tornem a preservação da floresta mais competitiva que sua destruição. Além disso, foram criadas ou ampliadas 16 unidades de conservação federais e avançou-se na formulação do Plano Clima com foco em justiça climática, visando orientar as ações nacionais até 2035 e integrar a proteção ambiental à redução das desigualdades sociais.
A transição da pasta será conduzida pelo atual secretário-executivo, João Paulo Capobianco, o que, segundo Marina, assegura a continuidade técnica e política dos projetos em curso no governo Lula. A ministra deixa o cargo para se dedicar ao cenário eleitoral, com a perspectiva de disputar o governo de São Paulo como vice na chapa de Fernando Haddad ou concorrer a uma vaga no Senado. Sua saída marca a entrega de uma agenda climática ambiciosa e de uma estrutura estatal recomposta para enfrentar os desafios ambientais da próxima década.








