Visitas domiciliares e atenção primária são cruciais para controle de tuberculose no Rio de Janeiro, mostra estudo

Capital fluminense é a terceira maior em incidência de tuberculose no Brasil, com 96 casos para cada 100 mil habitantes, em 2022

(Redação Serra Verde / Texto: Agência Bori) 


Os cuidados de atenção primária e as visitas domiciliares de profissionais de saúde aos pacientes são as principais estratégias para tratar e interromper a transmissão de tuberculose na cidade do Rio de Janeiro, mostra um estudo publicado na última quarta-feira (12) no periódico científico Cadernos de Saúde Pública. O artigo é parte do trabalho de doutorado em epidemiologia da médica de família e comunidade Fernanda Lopes, na Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP-Fiocruz). 

Foram analisados dados de casos de tuberculose no município do Rio entre 2014, quando foram implementados os testes rápidos para detecção da doença, e 2022. Os pesquisadores buscaram identificar como a cobertura da atenção primária, as visitas domiciliares e outros fatores, como a pandemia de Covid-19, influenciaram na detecção de casos de tuberculose. Houve associação direta entre as visitas e a detecção dos casos. “A tuberculose é uma doença de transmissão respiratória, ocorre dentro das casas, então, na visita do profissional de saúde, você detecta os casos, avalia as condições de moradia, quantas pessoas moram ali e que podem ter sido contaminadas”, explica Fernanda. 

A presença dos profissionais, segundo ela, permite uma busca ativa por casos e a prevenção da transmissão, além da oferta e controle do tratamento de forma mais eficaz. “A principal estratégia para conter a tuberculose é o diagnóstico rápido e iniciar o tratamento de forma precoce. Só que é um tratamento longo, de pelo menos seis meses, e incômodo, então precisa garantir aderência”, explica Yara Hahr, pesquisadora da Fiocruz, médica epidemiologista e orientadora de Lopes. “A tecnologia dos testes rápidos ajuda muito, mas sozinha não faz milagre, o serviço tem que chegar às pessoas, ser acessível e a atenção primária e as visitas possibilitam isso”, reforça. 

Para as pesquisadoras, o estudo demonstra como é preciso manter e ampliar os serviços oferecidos pelo SUS para prevenção, detecção e tratamento por meio da atenção primária, especialmente no Rio, onde há 96 casos a cada 100 mil habitantes. “É a terceira capital com a maior incidência no Brasil, fica atrás de Manaus e Recife, então todo médico que trabalha no Rio precisa considerar que a presença de tosse por duas semanas pode ser tuberculose”, lembra Yara Hahr. 

É importante destacar que a base de dados utilizada para coletar números de casos de tuberculose foi a do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan). Já os dados de cobertura de atenção básica foram coletados nos Paineis de Indicadores da Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.