Governo apresenta balanço positivo sobre a gestão de incêndios florestais em 2025
(Redação serra Verde / Fonte: Gov.br / Foto: João Stangherlin/ICMBio)
Nesta quarta-feira (4), a ministra Marina Silva e o presidente do ICMBio, Mauro Pires, apresentaram um balanço positivo sobre a gestão de incêndios florestais, destacando uma redução de 39% na área queimada em todo o país em 2025, na comparação com a média de 2017 a 2024. Os dados, validados pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA/UFRJ), mostram quedas drásticas em biomas sensíveis: o Pantanal reduziu sua área atingida em 91%, seguido pela Amazônia (75%), Mata Atlântica (58%) e Pampa (45%). Esse cenário é fruto da intensificação das políticas de combate e da integração entre esferas federais, estaduais e municipais iniciada em 2023.
O governo atribuiu o sucesso à implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Lei 14.944/2024) e ao fortalecimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). A estratégia para 2026 foca na prevenção tecnológica através do sistema Sisfogo, que emite alertas antecipados ao detectar o aumento de material combustível e temperaturas elevadas. Além disso, uma sala de situação envolvendo 10 ministérios foi instalada para coordenar recursos e agilizar a resposta em áreas críticas, garantindo que os municípios recebam capacitação e verbas diretas para a preparação local antes do agravamento das secas.
“Em 2025 observamos a maior queda de incêndios florestais. Foram 74% menos incêndios em relação ao ano de 2022. Isso significa mais conservação. O uso da queima prescrita, conforme prevê a nova lei, diminui o volume de combustível na natureza, evitando grandes incêndios”, explicou Mauro Pires, presidente do ICMBio.
A força operacional atual conta com 246 brigadas federais especializadas, sendo 131 do Ibama e 115 do ICMBio, totalizando mais de 4.300 profissionais mobilizados. Um pilar fundamental dessa estrutura é a diversidade e o conhecimento territorial: 52% dos brigadistas são indígenas e 9% são quilombolas. Essa composição é estratégica para o acesso a áreas remotas e para a aplicação do manejo preventivo, técnica que reduz a biomassa seca e evita que pequenos focos se tornem incêndios de grandes proporções em Unidades de Conservação e terras tradicionais.
Para o futuro próximo, o foco será a expansão da qualificação técnica com a previsão de 80 novos cursos de formação de brigadas ainda em 2026. O ICMBio também anunciou um edital da ACADEBio para o primeiro curso de brigadistas de nível superior, previsto para iniciar em 2027. Apesar dos avanços, a ministra Marina Silva reforçou o estado de alerta para os próximos meses, devido à preocupação com a intensificação da estiagem, mantendo o monitoramento contínuo e a prontidão das equipes para enfrentar os desafios climáticos de 2026.
“Se compararmos o ano de 2023 com 2026, estamos numa situação incomparavelmente melhor. Chegamos sem orçamento, sem estrutura e com as equipes desamparadas”, disse a ministra. "Hoje, ainda que nos preocupe a passagem da El Ninha, com impactos que não podemos prever, contamos com leis próprias, rede de parceiros, equipamentos, sistema de informação e recursos para lidar com as emergências climáticas e as queimadas”, afirmou Marina Silva.
O Plano de Manejo Integrado do Fogo
O Plano de Manejo Integrado do Fogo, desenvolvido pelos órgãos do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), estabelece uma estratégia de cooperação entre as esferas federal, estadual e municipal para priorizar o combate imediato aos primeiros focos de incêndio. Essa atuação é subsidiada pela inteligência do Sistema de Informações (Sisfogo), que emite alertas preventivos ao identificar o acúmulo de material combustível e a elevação das temperaturas. Com essa tecnologia, as localidades podem intervir de forma antecipada, evitando que o fogo se propague e cause destruição de grandes proporções nos biomas brasileiros.
Para fortalecer essa estrutura operacional, estão previstos 80 cursos de formação de brigadas voltados especificamente para a proteção de Unidades de Conservação. Além da capacitação técnica básica, o governo federal anunciou a expansão acadêmica do setor com um edital da ACADEBio para o primeiro curso de brigadistas de nível superior. A iniciativa, que terá início em 2027, visa profissionalizar ainda mais a gestão de crises ambientais e garantir a continuidade das políticas de preservação a longo prazo.








