30% dos cursos de medicina no Brasil sofrerão sanções devido ao baixo desempenho no Enamed
(Redação Serra Verde)
O Ministério da Educação (MEC) anunciou na segunda-feira (19) que aproximadamente 30% dos cursos de medicina avaliados no país sofrerão avaliações devido ao baixo desempenho na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Dos 351 cursos analisados, 107 receberam conceitos 1 ou 2, níveis considerados insuficientes pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
As punições variam de acordo com a gravidade das notas e incluem medidas severas para frear a má qualidade do ensino médico. Para as instituições com pior desempenho, as avaliações envolvem a suspensão total do ingresso de novos alunos e o bloqueio de novos contratos pelo Fies e Prouni. Outras faculdades enfrentam uma redução de 25% a 50% no número de vagas oferecidas, além da restrição de qualquer expansão em seus quadros até a próxima avaliação.
O Enamed 2025 revelou um cenário preocupante na rede privada e municipal. Enquanto os estudantes de instituições federais mantiveram bons índices, cerca de 14 mil formandos da rede privada com fins lucrativos apresentaram médias de proficiência abaixo do esperado. O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) manifestou preocupação com os dados, afirmando que os resultados expõem uma massa de profissionais que chega ao mercado sem o embasamento necessário para exercer a profissão com segurança.
As instituições afetadas pertencem a 93 diferentes entidades de ensino superior espalhadas por diversos estados, como Goiás, Paraíba e Maranhão. Em alguns casos regionais, como no Maranhão, todos os cursos listados ficaram com nota 2. O objetivo do governo com essas medidas cautelares é forçar as faculdades a investirem em infraestrutura, laboratórios e melhoria do corpo docente para garantir que a expansão do ensino médico não ocorra em detrimento da qualidade técnica.
Em nota, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que acompanha a divulgação dos resultados do Enamed e que análises preliminares feitas por instituições de diferentes regiões do país apontam divergências entre os dados apresentados como índices de dezembro e os números divulgados agora. A entidade disse que vai aguardar esclarecimentos técnicos do Ministério da Educação e do Inep antes de qualquer "manifestação conclusiva sobre o balanço".
Nota 5
Por outro lado, o MEC destacou que cerca de 70% dos cursos tiveram um desempenho superior, com 49 graduações atingindo a nota máxima (5). O Ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou que o foco não é punir os estudantes já matriculados, mas sim garantir que as futuras gerações de médicos sejam formadas em ambientes que cumpram as Diretrizes Curriculares Nacionais. "É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que as pessoas possam fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino", disse Camilo.
As universidades notificadas têm agora um prazo de 30 dias para apresentar defesa antes que as avaliações definitivas sejam aplicadas no Diário Oficial da União. Caso as justificativas não sejam aceitas, as restrições permanecerão em vigor até a divulgação do próximo ciclo avaliativo, previsto para outubro de 2026.








