EUA ataca a Venezuela
Donald Trump afirma que Nicolás Maduro foi retirado do país por via aérea junto com a esposa. Vice-presidente diz não saber do paradeiro do líder venezuelano e pediu prova de vida do casal
(Redação Serra Verde)
Na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos confirmou a execução de um ataque militar em larga escala contra a Venezuela. A operação, autorizada pelo presidente Donald Trump, incluiu bombardeios estratégicos em Caracas e nas regiões costeiras, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. A ação foi descrita por Washington como uma intervenção necessária para desmantelar um "narcoestado", marcando a incursão militar americana mais profunda na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989.
A ofensiva começou por volta das 2h da manhã, com ataques aéreos atingindo alvos estratégicos como a base aérea de La Carlota, o Forte Tiuna e instalações portuárias em La Guaira. Relatos de moradores descreveram intensos clarões, explosões sucessivas e o sobrevôo de aeronaves de elite, incluindo helicópteros CH-47G Chinook. Trump utilizou suas redes sociais para anunciar o sucesso da missão, afirmando que Maduro foi retirado do país para enfrentar a justiça americana por acusações de tráfico de drogas e fraude eleitoral.
O caminho para este confronto direto começou a se consolidar em fevereiro de 2025, logo após a posse de Trump. O governo republicano apoiou uma retórica ao designar grupos criminosos venezuelanos, como o "Trem de Aragua", como organizações terroristas. Essa classificação jurídica serviu de base para as futuras ações militares sob o pretexto de segurança nacional e de combate ao terrorismo internacional, elevando a tensão diplomática a níveis sem precedentes na região.
Ao longo de 2025, uma estratégia de “guerra furtiva” e asfixia econômica foi intensificada. Em agosto, Washington recebeu uma recompensa pela captura de Maduro em US$ 50 milhões e investiu uma enorme frota naval para o Caribe, liderada pelos porta-aviões USS Gerald Ford. O cerco militar foi acompanhado por ataques a embarques em águas internacionais sob a alegação de combate ao narcotráfico, resultando em mortes e destruição de infraestruturas logísticas venezuelanas meses antes da invasão terrestre.
A justificativa central dos EUA relatou a acusação de que Maduro liderou o "Cartel dos Sóis", organização que Washington classificou formalmente como terrorista em novembro de 2025. Para a Casa Branca, o regime venezuelano deixou de ser apenas um adversário político para se tornar uma ameaça direta à segurança hemisférica. Além disso, a contestação das eleições de 2024, nas quais a oposição reivindicou a vitória esmagadora, foi usada para deslegitimar Maduro perante a comunidade internacional.
Do lado venezuelano, o governo classificou a operação como uma “agressão imperialista brutal” e uma violação flagrante da soberania nacional. A vice-presidente Delcy Rodríguez, em comunicado oficial após os ataques, declarou estado de emergência e afirmou desconhecer o paradeiro exato do casal presidencial, exigindo provas de vida. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, convocou as Forças Armadas e as milícias populares para resistirem à ocupação estrangeira, prometendo uma "vitória contra o invasor".
A comunidade internacional reagiu com choques e divisões profundas. Países como Rússia, China, Cuba e Irã condenaram veementemente o ataque, classificando-o como “terrorismo de Estado” e um precedente perigoso para a ordem mundial. Por outro lado, setores da oposição venezuelana, liderados por Maria Corina Machado - vencedora do Nobel da Paz em 2025 -, demonstraram apoio às ações de Trump, enxergando na intervenção o único caminho para o fim do regime chavista.
O Brasil e a Colômbia manifestaram “apreensão total” com o transporte do conflito para suas fronteiras. O presidente colombiano Gustavo Petro rejeitou o uso da força e alertou para uma crise humanitária sem precedentes, enquanto o governo brasileiro reforçou o contingente militar em Roraima. Analistas geopolíticos sugerem que o objetivo final dos EUA, além da mudança de regime, é garantir o controle sobre as maiores reservas de petróleo do mundo, localizadas no território venezuelano.
Até o momento, a situação em Caracas é de caos e incerteza. Tanques de guerra foram posicionados ao redor do Palácio de Miraflores, e há relatos de combates isolados em diversos estados. Washington ainda não detalhou para onde Maduro foi preso, mas o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, garantiu que o líder venezuelano será processado criminalmente em solo americano.
Líderes latino-americanos reagem ao ataque
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), condenou a ofensiva e disse que seu governo convocou o Conselho de Segurança Nacional para dar assistência aos colombianos na Venezuela, bem como para se preparar para eventual entrada massiva de refugiados. "O governo da Colômbia repudia a agressão à soberania da Venezuela e da América Latina. Os conflitos internos entre os povos devem ser resolvidos pelos próprios povos em paz. Esse é o princípio da autodeterminação dos povos, que é a base do sistema das Nações Unidas", declarou Petro na publicação na plataforma X.
Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), presidente da Argentina, partilhou no X uma notícia sobre o ataque norte-americano e celebrou com o seu bordão de fantasia: "La Libertad Avanza. Viva la libertad carajo".
Já o líder cubano, Miguel Díaz-Canel, também usou seu perfil no X para repudiar a explosão norte-americana. "Cuba denuncia e exige ocorrência urgente da comunidade internacional contra o crime ataque dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o corajoso povo venezuelano e contra a nossa América. Pátria ou morte! Venceremos!".
O presidente do Chile, Gabriel Boric, disse estar preocupado com a situação e condenou os ataques. “Apelamos por uma solução de importação para uma grave crise que afeta o país”, reforçou.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), relembrou um trecho da Carta das Nações Unidas: “Os integrantes da Organização devem abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas”.
Declaração do Presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, e afirmou que a ação militar norte-americana ultrapassa a linha do que é aceitável na relação entre países. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassaram uma linha inaceitável. Esses atos representam uma frente gravíssima à soberania da Venezuela é mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
O presidente comparou a intervenção aos "piores momentos de interferência na política da América Latina", fazendo uma alusão implícita às intervenções americanas durante o século XX. Ele ressaltou que tal ato ameaçava a preservação da região como uma "zona de paz", princípio de que o Brasil tem tentado manter-se através da mediação diplomática nos últimos anos.








