Mata Atlântica do Rio de Janeiro ganha Centro de Referência em Restauração Ecológica
(Redação Serra Verde / Fonte: G1)
O estado do Rio de Janeiro alcançou um marco histórico na preservação ambiental com a inauguração do Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE), localizado na Fazenda Perdida, em Silva Jardim. O espaço, inserido na RPPN Parque do Mico II, na Baixada Litorânea, foi criado pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) em conjunto com parceiros governamentais, acadêmicos e do setor privado. A iniciativa visa recuperar 130 hectares de área degradada e fortalecer a conectividade do habitat de espécies ameaçadas, especialmente o mico-leão-dourado.
Concebido para ser um verdadeiro laboratório a céu aberto, o CERRE funcionará como um polo integrador entre a comunidade acadêmica, técnicos ambientais e proprietários rurais. Estruturado com infraestrutura completa de apoio, como alojamentos e laboratórios de campo, o centro permitirá o acompanhamento contínuo dos processos de recuperação da vegetação e servirá de base para a formação e capacitação técnica de estudantes, pesquisadores e trabalhadores do campo em metodologias de manejo e monitoramento da biodiversidade. “O CERRE é um marco, e é importante deixar isso bem claro”, ressalta Jerônimo Sansevero, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e coordenador do PELD Rede (Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração).
A consolidação do projeto apoia-se em uma aliança científica e institucional que envolve universidades de destaque, como a UFRRJ, UENF e PUC-Rio, além do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD Rede). Segundo especialistas envolvidos, o acúmulo de conhecimento botânico, ecológico e geológico acumulado por essas instituições ao longo de décadas fornecerá a sustentação científica necessária para desenvolver estratégias de restauração florestal eficazes e com visão de longo prazo na Bacia do Rio São João.
Um dos focos centrais da iniciativa é promover o engajamento dos produtores rurais na transição para práticas de uso do solo mais sustentáveis. Por meio da realização de oficinas, cursos e workshops, o CERRE pretende disseminar técnicas agroecológicas e Sistemas Agroflorestais (SAFs). O objetivo é demonstrar que a conservação e a recuperação dos serviços ecossistêmicos podem caminhar juntas com a geração de renda, estimulando a economia sustentável e fortalecendo a cadeia produtiva local. “O CERRE é um espaço extremamente útil para nós da academia, principalmente para o treinamento e a formação dos nossos alunos e técnicos”, disse Marcelo Trindade Nascimento, chefe do Laboratório de Ciências Ambientais da UENF e curador do Herbário UENF.
Em alinhamento a essa proposta, o evento de lançamento também marcou a apresentação da Unidade Demonstrativa de Pecuária Sustentável em uma propriedade parceira da região. A iniciativa busca desmistificar a ideia de que a produção pecuária e a preservação ambiental são incompatíveis, demonstrando como a adoção de tecnologias adequadas e o manejo correto das pastagens podem aumentar a produtividade sem a necessidade de novos desmatamentos.
Além do caráter científico e produtivo, o centro foi estruturado para receber visitantes, ecoturistas e turmas escolares, promovendo a educação ambiental através de exposições temáticas e atividades práticas, como o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica. O compartilhamento direto dos desafios e soluções da restauração busca inspirar outros produtores a adotarem modelos semelhantes em suas propriedades, otimizando o manejo dos recursos naturais na região.
A viabilização financeira do CERRE contou com o suporte de importantes mecanismos de fomento e parcerias estratégicas, incluindo o Projeto Floresta Viva - composto por SEAS, BNDES, Funbio e Aegea - e o Projeto GEF Áreas Privadas (IIS, UNEP, SBIO e MMA). A iniciativa recebeu ainda investimentos de instituições e fundações internacionais e nacionais, como ExxonMobil, Irène M. Staehelin Foundation e Save the Golden Lion Tamarin.
A chegada do Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE) representa um avanço expressivo na descentralização e aplicação eficiente dos recursos destinados à recuperação florestal no Rio de Janeiro. Ao aliar ciência de ponta, engajamento comunitário e pecuária sustentável, o novo centro se consolida como um modelo estratégico para transformar áreas degradadas em florestas funcionais, garantindo a proteção do ecossistema e a sustentabilidade econômica do bioma.








