Famílias brasileiras acumulam mais dívidas e inadimplência avança em 2025
(Redação Serra Verde; Texto/fonte: Jornal da USP Foto: Cecília Bastos/USP Imagens - Link: https://jornal.usp.br/radio-usp/familias-brasileiras-acumulam-mais-dividas-e-inadimplencia-avanca-em-2025/
A combinação de salário baixo, juros altos e custo de vida elevado está levando as famílias brasileiras ao endividamento. O último levantamento do Banco Central (BC) aponta que as famílias já comprometem cerca de 30% da renda com suas rendas, panorama que se aproxima muito do registro registrado em 2023. O professor Daniel Bergmann, do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), explica os motivos.
Ele diz quais os vilões do orçamento são crédito altíssimo, inflação que corroi o poder de compra e a estagnação da economia, sem o aumento real dos salários. O Brasil vem passando por um momento positivo, com a diminuição do desemprego, mas o professor alerta que não é suficiente em função da alta inflação. O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelas dívidas, além dos cartões de lojas, que cresceram e passaram a ser classificados pelas famílias.
O endividamento das famílias brasileiras cresceu em maio. O levantamento também mostra que a inadimplência, ou seja, as contas em atraso, estão aumentando. "A última década foi marcada por crises sobrepostas que minaram a saúde da nossa economia. Houve uma profunda recessão de 2015-2016, o choque disruptivo da pandemia em 2020 e, mais recentemente, um ciclo de inflação persistente comprimido com juros extremamente elevados", afirma o pesquisador. "O legado estrutural desse período é um país fragilizado. Hoje, convivemos com famílias asfixiadas pors, um crédito caro que inibe o consumo e o investimento, um crescimento econômico estagnado e, de forma crucial, instituições estatais com sua capacidade de resposta comprometida pela crise fiscal", finaliza.
Dívidas devem continuar crescendo
A previsão é que o endividamento continue subindo ao longo de 2025. A inadimplência também deve aumentar e novos programas de crédito do governo podem deixar os lares ainda mais comprometidos financeiramente.
A situação fiscal é o panorama de fundo de toda essa crise. Existe um consenso crescente entre economistas de que a trajetória da dívida pública é insustentável e tende a piorar. O problema é que um governo altamente individualizado gera desconfiança no mercado, ou que obriga o país a pagar juros mais altos para se financiar.
Isso afeta o cidadão de forma direta: para atrair investidores, o governo mantém a taxa Selic elevada, ou que cobra todo o crédito no País — do financiamento imobiliário ao juro do cartão de crédito. Além disso, um dado técnico, mas fundamental, é que mais de 60% da dívida pública brasileira está indexada a taxas de juros de curto prazo. Na prática, isso significa que, quando o Banco Central sobe os juros para controlar a inflação, o custo da dívida do próprio governo explode, limitando financeiramente a sua capacidade de investir em serviços públicos essenciais.
Apesar das dificuldades do cenário macroeconômico, a organização financeira individual é crucial. A saída exige disciplina e estratégia. As recomendações são: priorizar as dívidas mais caras. O foco absoluto deve ser quitar o saldo devedor do cartão de crédito e do cheque especial; renegociar tudo – é fundamental procurar os credores para renegociar prazos e taxas.
As plataformas de renegociação e os próprios bancos oferecem canais para isso, e é preciso procurar condições mais justas; evitar a “troca de dívida” perigosa – contrair um novo empréstimo para pagar um antigo só vale a pena se os juros forem comprovados menores e couberem no orçamento, caso contrário, apenas se criar um problema maior a longo prazo; reorganizar o orçamento – é necessário um diagnóstico honesto das finanças, cortando todos os gastos não essenciais e direcionando cada real possível para a quitação das pendências.








