Crise de credibilidade na imprensa tradicional ameaça o consumo de notícias no Brasil
(Redação Serra Verde / Fontes: Revista Fórum / Poder 360)
Parece que o ecossistema de notícias no Brasil está em crise! Talvez esta situação seja por causa da perda de credibilidade dos veículos tradicionais e pelo crescente desinteresse das novas gerações. De acordo com dados do Painel TIC 2025, divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o hábito de se informar pelo jornalismo profissional é o principal fator de resiliência contra a desinformação. Este pilar fundamental, contudo, encontra-se severamente ameaçado pelo avanço e pela dinâmica de consumo das plataformas digitais.
A imprensa tradicional lida hoje com um cenário de ceticismo generalizado, onde cerca de 48% dos internautas com 16 anos ou mais afirmam desconfiar sempre ou na maioria das vezes dos veículos tradicionais. O grau de suspeita sobre o jornalismo é maior do que a desconfiança em relação a conteúdos compartilhados por amigos e familiares nas redes sociais (39%) ou em aplicativos de mensagens (42%). Essa rejeição à grande mídia atinge 59% entre os brasileiros com apenas os anos iniciais do Ensino Fundamental e é mais expressiva no público masculino, registrando 52%.
O consumo de notícias consolida sua transição definitiva para o ambiente algorítmico, impulsionado pela hegemonia do WhatsApp, utilizado por 54% dos brasileiros "praticamente o tempo todo". O levantamento, conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e pelo NIC.br, mostra que 60% dos internautas recebem informações diariamente por meio de aplicativos de mensagens. Na sequência dos meios digitais mais utilizados para o consumo de atualidades, aparecem os feeds de vídeos curtos, como o TikTok (52%), e os sites ou aplicativos de vídeos em geral (50%).
Embora 65% dos usuários consumam algum tipo de notícia diariamente, o estudo acende um alerta vermelho para um preocupante abismo geracional no país. Enquanto 79% das pessoas entre 45 e 59 anos consomem notícias todos os dias, a taxa despenca para apenas 46% entre os jovens de 16 a 24 anos. Esse fenômeno comportamental, conhecido como news avoidance (recusa consciente de notícias), consolida a alienação informacional entre os mais jovens, que passam a preencher essa lacuna com as redes sociais, ampliando sua vulnerabilidade à desinformação.
A pesquisa aponta, ainda, que a diversidade da dieta informacional dos brasileiros está fortemente condicionada a fatores socioeconômicos. O acesso diário a portais de notícias na internet chega a 58% entre os usuários das classes AB, mas cai vertiginosamente para apenas 27% nas classes DE. Piorando o cenário de exclusão digital e informacional, 18% dos usuários das classes DE acessam informações de forma exclusiva por plataformas digitais, uma situação impulsionada pela adoção massiva de planos de telefonia móvel com franquia de dados limitada e acesso restrito a aplicativos patrocinados.
Para medir a capacidade real de discernimento dos cidadãos, o estudo aplicou um teste prático de classificação de informações verdadeiras e falsas baseado na Teoria de Resposta ao Item, expondo um paradoxo cognitivo. A soma de usuários que se sentem confiantes ou muito confiantes para identificar fraudes na internet chega a 40%, mas essa elevada autoconfiança não se converteu em melhores notas práticas. Os resultados provaram o valor do jornalismo: indivíduos que consomem notícias diariamente apresentaram desempenho significativamente superior, com 19% deles figurando na faixa das melhores pontuações, contra apenas 12% dos que não leem notícias todos os dias.
Em contrapartida, os indivíduos que declararam desconfiar quase sempre dos veículos tradicionais tiveram os piores desempenhos no exercício prático, com somente 12% alcançando as notas máximas. O estudo conclui que a desconfiança acentuada na imprensa profissional deixa o usuário exposto e altamente vulnerável à manipulação. Entre os que admitiram não checar conteúdos online, as principais motivações foram esquecimento (36%), falta de tempo (33%) e falta de interesse (33%). Além disso, 34% desse grupo concorda totalmente que não vale a pena pesquisar a veracidade do que recebe, e 30% culpa a polarização atual por desistir da checagem.
Uso da IA
Por fim, o Painel TIC 2025 revelou que os brasileiros já estão amplamente familiarizados com as ferramentas de inteligência artificial generativa no cotidiano. O ChatGPT desponta como a plataforma mais popular, com 47% de usuários que afirmam já ter utilizado o sistema. A inteligência artificial integrada ao WhatsApp aparece logo em seguida, citada por 42% dos entrevistados, enquanto o Gemini (30%) e o Copilot (14%) completam a lista das tecnologias mais conhecidas e utilizadas pela população conectada no país.








